Quatro Barcelonas, quatro times diferentes
O campeão de Rijkaard em 2006, os times de Guardiola em 2009 e 2011 e a tríplice de Luis Enrique com o MSN não são uma era Messi só. Cada temporada no draft é uma ideia diferente do clube.
2006: a final ganha com um a menos do outro lado
O Barcelona de Frank Rijkaard conquistou a segunda Copa Europeia do clube em 2006, em Paris, contra o Arsenal. O jogo é fácil de lembrar errado, como se tivesse sido um passeio. O Arsenal jogou mais de setenta minutos com dez, depois da expulsão de Jens Lehmann, abriu o placar com Sol Campbell e segurou a vantagem até fundo do segundo tempo. Henrik Larsson, que entrou no decorrer, deu o passe dos dois gols no quarto de hora final. Samuel Eto'o empatou. Juliano Belletti fez o da vitória. O Barcelona esteve atrás, e sem o homem a mais com que costuma ser desenhado, durante a maior parte da noite que acabou ganhando.
A estrela daquele elenco era Ronaldinho, então melhor do mundo da FIFA, no auge das temporadas que fizeram o Barcelona voltar a ser time de bilheteria. Lionel Messi estava no grupo e ainda não era o grupo. Deco conduzia o meio. Rijkaard tinha reconstruído o clube depois de um trecho sem graça no começo dos anos 2000, e aquela foi a primeira Copa Europeia desde a de Johan Cruyff em 1992. Reabriu o clube como força continental. Ainda não parecia o time de posse de bola que as pessoas querem dizer quando falam Barcelona. O draft de 2006 é o time de Ronaldinho, com Messi chegando dentro dele.
2009 e 2011: a mesma ideia, duas finais
A primeira temporada de Pep Guardiola produziu a sextupla: La Liga, Copa do Rei, Liga dos Campeões e as três supercopas que se estenderam pelo outono seguinte. Messi, Xavi Hernández e Andrés Iniesta entravam nos anos que ainda são citados sempre que alguém tenta nomear um meio-campo. Messi fez 38 gols em todas as competições, cada vez mais como falso 9 do que como ponta pregado na linha. A final contra o Manchester United em Roma terminou 2 a 0, Eto'o e Messi. Na época, pareceu uma troca de quem ditava os termos na Europa, e o elenco puxava muito da La Masia, não de uma porta giratória de contratações de estrela.
O time de 2011 é a revanche, e não é a mesma ficha. Em Wembley, o Barcelona venceu o United por 3 a 1 e conquistou a quarta Copa Europeia. Sir Alex Ferguson disse depois que os jogadores dele tinham sido hipnotizados, e que talvez tivesse visto o melhor time que já enfrentou. O passe curto de Xavi marcava a velocidade do jogo. Messi fez um dos gols. David Villa e Pedro davam ao ataque mais de uma solução, e Gerard Piqué ancorava uma defesa que defendia ficando com a bola. As pessoas juntam 2009 e 2011 porque os nomes se repetem. No draft, eles respondem a perguntas diferentes. 2009 é a primeira temporada, a sextupla, a prova de que a ideia funcionava. 2011 é a ideia no ponto em que o adversário já sabia o que vinha e ainda assim não conseguia viver com ela.
2015: uma tríplice com outro sotaque
O time de Luis Enrique em 2015 ganhou uma segunda tríplice em seis anos: La Liga, Copa do Rei e Liga dos Campeões. O mecanismo era a linha de frente conhecida como MSN. Messi, Luis Suárez e Neymar passaram, juntos, de cem gols na temporada. Suárez tinha chegado naquele verão depois da punição por morder um adversário na Copa do Mundo, e levou meses, não anos, para os três parecerem uma unidade. Sergio Busquets e Iniesta ainda eram a plataforma. A final em Berlim terminou 3 a 1 contra a Juventus. Messi voltou a ser o centro. Neymar fechou. Foi a quinta Copa Europeia do clube.
O contraste útil com 2009 é o sotaque, não a contagem de taças. A tríplice de Guardiola era posse paciente, a bola como jeito de defender e de chegar. A de Enrique era mais direta, e se apoiava no que o trio da frente fazia na transição quando a bola virava. Os dois são Barcelona. Draftar um porque se queria o outro é o caminho para um time que não joga a partida que você tinha em mente. O time de Ronaldinho em 2006, as duas finais de Guardiola e a temporada do MSN são quatro respostas à pergunta do que esse clube foi. O draft os separa para que a resposta escolhida seja uma temporada, não uma marca.
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