As três Champions do Bayern no draft
O título de Hitzfeld nos pênaltis em 2001, a tríplice de Heynckes em 2013 e a final de Flick em Lisboa, em 2020, são três Bayerns. A camisa é a mesma. O time, não.
Três taças, três técnicos
O Bayern de Munique tem mais de uma Champions no Reis da Bola, e tratar esses elencos como uma máquina alemã única joga os drafts fora. O time de Ottmar Hitzfeld, em 2001, ganhou a taça nos pênaltis, em Milão. O de Jupp Heynckes, em 2013, fez a tríplice e venceu o Borussia Dortmund na final de Wembley. O de Hansi Flick, em 2020, ganhou outra tríplice na temporada jogada em estádios vazios e bateu o Paris Saint-Germain na final de Lisboa. O clube é a constante. Os capitães, os goleiros e a ideia de ataque não são.
Cada ficha é uma temporada fechada. Oliver Kahn é o goleiro de 2001 e já está perto do fim desse papel quando um Bayern posterior chega a uma final sem ele. Philipp Lahm é o lateral que cresce no time nos anos seguintes e o capitão que levanta a taça em 2013. Manuel Neuer é o goleiro de 2013 e continua sendo o goleiro de 2020, mas o centroavante à frente dele passou de Mario Mandžukić para Robert Lewandowski, e o técnico mudou duas vezes. Quem escala um desses Bayerns não escala 'o Bayern'. Escala uma noite de uma discussão de vinte anos.
2001: a noite de Kahn em Milão
A final de 2001, no San Siro, terminou 1 a 1 contra o Valencia de Héctor Cúper. Gaizka Mendieta marcou um pênalti. Stefan Effenberg empatou, também de pênalti. A prorrogação não resolveu nada, e a disputa de pênaltis foi de Oliver Kahn, que defendeu três cobranças. Foi a primeira Champions do Bayern desde 1976, ganha por um time que parecia um campeão da Bundesliga mais do que um catálogo de estrelas importadas. Giovane Élber e Carsten Jancker faziam o ataque. Mehmet Scholl e Effenberg tocavam o meio. Bixente Lizarazu e Willy Sagnol eram os laterais. Samuel Kuffour e Thomas Linke, os zagueiros. Jens Jeremies jogava à frente deles.
Hitzfeld já tinha vencido a competição com o Dortmund, em 1997. O Bayern de 2001 é a outra metade dessa carreira de técnico, e é um argumento diferente das tríplices que vieram depois. Não há Neuer, nem Robben, nem Lewandowski. A autoridade está no goleiro e em Effenberg. A ficha do draft é essa autoridade: um time que empatou uma final e confiou em Kahn para terminá-la. Bayerns posteriores ganhariam finais fazendo gol. Este ganhou uma final não sofrendo as cobranças que a teriam perdido.
2013 e 2020: duas tríplices, dois ataques
O time de Heynckes em 2013 é a tríplice que as pessoas têm em mente quando falam de um Bayern completo. Ganharam a Bundesliga, a Copa da Alemanha e a Champions na mesma temporada. A final, contra o Dortmund de Jürgen Klopp, foi um dérbi alemão jogado em Londres. Mario Mandžukić marcou. O Dortmund empatou. Arjen Robben fez o gol da vitória no fim. Atrás desse gol havia um time no fim de uma construção longa: Neuer no gol, Lahm capitão na lateral, Jérôme Boateng e Dante no miolo, David Alaba pela esquerda, Bastian Schweinsteiger e Javi Martínez à frente da zaga, Thomas Müller entre as linhas, Franck Ribéry na outra ponta. Era a última temporada daquela dupla de ataque como ideia fixa do clube, e fechava uma final que o mesmo clube tinha perdido para o Chelsea, na própria cidade, no ano anterior.
O time de Flick em 2020 ganhou os mesmos três troféus com outra frente. Lewandowski foi o artilheiro da temporada. Serge Gnabry e Kingsley Coman eram os pontas. Müller continuava ali, agora como o jogador que chegava na área, e não como metade da dupla com Robben e Ribéry. Joshua Kimmich tinha virado o meio-campista em torno do qual o time se organizava. Alphonso Davies era o lateral-esquerdo que transformava transições em ataque. A quartas contra o Barcelona terminou 8 a 2. A final contra o Paris terminou 1 a 0, e o gol foi de Coman, um ex-jogador do Paris marcando contra o clube antigo num estádio vazio em Lisboa. O draft de 2013 é controle, amplitude e um gol tardio num dérbi. O de 2020 é um time de pressão que já tinha passado por cima de um candidato a campeão antes da última noite, e então ganhou a última noite por um gol. O escudo é o mesmo. O método, não.
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