Três Chelseas, três técnicos
O time de liga de Mourinho em 2006, os campeões de Di Matteo em Munique em 2012 e a vitória de Tuchel sobre o Manchester City em 2021 não são um projeto só.
O mesmo clube, três trabalhos diferentes
O Chelsea entra no draft como três temporadas que não se explicam umas às outras. O time de José Mourinho em 2006 foi campeão da Inglaterra e o elenco que tornou o clube uma potência permanente da Premier League. Não ganhou a Champions. O de Roberto Di Matteo, em 2012, ganhou, na Allianz Arena, contra o Bayern de Munique, depois de uma temporada em que o técnico que a começou já tinha sido demitido. O de Thomas Tuchel, em 2021, ganhou de novo, no Porto, contra o Manchester City de Pep Guardiola, com um elenco que Mourinho não reconheceria e um goleiro que não era Petr Čech.
Reis da Bola os separa porque a pergunta útil não é 'qual Chelsea foi melhor' no abstrato. É qual noite você está tentando escalar. A ficha de 2006 é Lampard, Terry, Drogba, Čech e Makélélé no auge do primeiro time de Mourinho. A de 2012 são vários desses mesmos jogadores, mais velhos, ganhando uma final para a qual o técnico não tinha sido contratado. A de 2021 é Kanté, Havertz, Thiago Silva e uma zaga montada numa primavera. O escudo não transforma essas três escolhas no mesmo pick.
2006: o time que não precisava da Europa para ser temido
O Chelsea de 2005-06 ganhou a Premier League com Mourinho e caiu para o Barcelona nas oitavas da Champions. A eliminação europeia faz parte da ficha, não é uma mancha nela. Este era o time construído para asfixiar jogos. Petr Čech era o goleiro. John Terry e Ricardo Carvalho eram os zagueiros, com William Gallas e Paulo Ferreira nas laterais. Claude Makélélé jogava à frente deles e deu nome a uma função que as pessoas ainda usam. Frank Lampard marcava saindo do meio numa média que quase ninguém nessa posição igualou na Inglaterra. Michael Essien podia jogar os mesmos jogos como destruidor ou como quem chegava. Arjen Robben e Joe Cole davam a amplitude. Didier Drogba era o centroavante para quem os cruzamentos existiam.
Escalar este Chelsea é escalar a espinha de um campeão de liga, não o milagre de um campeão europeu. As fichas seguintes pegam alguns nomes emprestados e mudam o trabalho. Lampard ainda está em 2012, e Terry, Čech e Drogba também, mas a temporada já não é a procissão de um time que espera estar na frente da Inglaterra em abril. A entrada de 2006 é a versão que esperava isso, e que tratava a Europa como uma competição da qual podia sair sem que a temporada fosse um fracasso.
2012 e 2021: duas taças, duas emergências
Di Matteo assumiu na primavera de 2012, depois da demissão de André Villas-Boas. O Chelsea não deveria ser a história daquela Champions. Saiu de 3 a 1 contra o Napoli nas oitavas. Eliminou o Barcelona na semifinal com Terry expulso e Lionel Messi perdendo um pênalti. A final, em Munique, foi contra um Bayern jogando em casa. Thomas Müller marcou. Drogba empatou no fim. Arjen Robben perdeu um pênalti na prorrogação. O Chelsea ganhou nos pênaltis, e Drogba cobrou o chute que encerrou a noite. Terry estava suspenso e assistiu. Čech, Branislav Ivanović, Gary Cahill, Ashley Cole, John Obi Mikel, Lampard, Juan Mata, Salomon Kalou e Daniel Sturridge completavam um time segurado por um mês. É uma ficha de campeão. Não é a ficha de uma dinastia.
A taça de Tuchel em 2021 foi outra troca de técnico no meio da temporada, desta vez depois da demissão de Frank Lampard, e outra final ganha pelo time que não era o favorito. Kai Havertz fez o único gol contra o Manchester City. N'Golo Kanté foi o meio-campista que decidiu onde o jogo seria disputado. Thiago Silva e Antonio Rüdiger seguraram o miolo. Reece James e Ben Chilwell eram os laterais. Jorginho e Mason Mount completavam o meio. Timo Werner e Christian Pulisic dividiam o ataque com Havertz. Édouard Mendy estava no gol. Quase nada desse onze se sobrepõe a 2006, e a sobreposição com 2012 é o clube, não o método. Um Chelsea no draft é um time de liga no auge. Outro é uma guarda velha roubando uma final no estádio do adversário. Outro é um time reconstruído ganhando uma final que não tinha por que controlar. Escolha a temporada, não o escudo.
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