Deportivo, 2000: o único título de liga
O Super Depor de Irureta terminou à frente de Real Madrid e Barcelona e ganhou a única La Liga do clube. A ficha é essa temporada, não uma noite europeia posterior.
Um clube de província, um título
O Deportivo La Coruña passou a maior parte da história fora da discussão entre Real Madrid, Barcelona e Atlético. Em 1999-2000, o time de Javier Irureta ganhou a única La Liga do clube e terminou à frente do Madrid e do Barcelona. A subida foi real e, vista de hoje, breve. O dinheiro não acompanhava os poderes tradicionais. O time era uma mistura de espanhóis e contratações de fora, boa o bastante para uma temporada reordenar a tabela. Nos anos 2010 o clube tinha caído de divisão. A ficha do draft é a temporada no topo, e por isso não é intercambiável com um time espanhol genérico da mesma década.
Reis da Bola guarda a entrada própria porque o título é o fato. Super Depor é o apelido, e pertence a este grupo: Mauro Silva à frente da defesa, Fran e Juan Carlos Valerón no meio, Djalminha como criador, Roy Makaay como centroavante. Em volta, Francisco Molina no gol, Manuel Pablo, Noureddine Naybet, Héctor e Joan Capdevila na linha, Víctor aberto. É um onze específico. Não é 'um campeão espanhol' no abstrato, e não é a ficha do Madrid ou do Barcelona dos mesmos anos.
Como o onze foi montado
O time de Irureta jogava acima da folha salarial contratando jogadores que não eram os primeiros nomes das listas do Madrid e do Barcelona e depois fazendo deles um time. Naybet era o zagueiro. Mauro Silva era o volante, o brasileiro que dava forma ao meio. Fran era a constante local. Djalminha era o talento que podia decidir um jogo e também fazer o sistema parecer frágil, e isso faz parte de a era parecer viva em vez de mecânica. Valerón passava. Makaay marcava. Capdevila depois seria campeão europeu com a Espanha. Nesta ficha ele é o lateral-esquerdo de um campeão galego.
O título não foi surpresa de uma semana. O clube vinha subindo, e os anos em torno de 2000 incluíram campanhas europeias que fizeram do período a era de ouro, e não uma primavera sortuda isolada. A ficha em si é a temporada da liga. Noites posteriores na Champions, inclusive as viradas que as pessoas ainda recortam, pertencem a elencos que se sobrepõem a este e não são este. Escalar 2000 é escalar o time que terminou em primeiro na Espanha. Não é escalar uma quartas de outro ano sob o mesmo escudo.
Por que o título ainda cabe no draft
Uma liga ganha à frente de Madrid e Barcelona é um argumento mais forte do que muita noite europeia que clubes famosos atravessam no piloto automático. O Deportivo não tinha orçamento para fazer isso duas vezes. Vendiam jogadores para continuar contratando, e o modelo não durou. Essa fragilidade faz parte do sentido da ficha. O onze é o pico, não uma dinastia. Molina, Naybet, Mauro Silva, Fran, Djalminha, Valerón, Makaay: pegar um deles é pegar uma temporada que o futebol espanhol não esperava e não repetiu.
A comparação útil é com a ficha do Valencia de dois anos depois. As duas são de campeões espanhóis de fora do par de sempre. A do Valencia foi a resposta a duas finais europeias perdidas. A do Deportivo foi um clube de província terminando em primeiro. Não são o mesmo tipo de azarão, e nenhuma das duas é um Madrid ou um Barcelona com as estrelas raspadas. Se o draft só guardasse os clubes que sempre ganham, esta ficha não existiria. Ela existe porque uma temporada na Corunha reordenou a tabela, e os jogadores que fizeram isso ainda são um time que dá para escalar. Capdevila e Víctor estão nesta ficha como jogadores do Deportivo, não como uma escalação posterior da Espanha.
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