Liverpool, 2001: três copas, e não a Champions
O time de Houllier ganhou a FA Cup, a Copa da Liga e a Copa da UEFA na mesma temporada. A ficha é essa tríplice. Não é Istambul, e não é Madri em 2019.
Uma tríplice que as finais posteriores não contêm
As fichas do Liverpool de 2005 e de 2019 já têm os próprios guias. Esta é o time de Gérard Houllier em 2001, e a taça que ele não ganhou é o ponto. Em 2000-01 levaram a FA Cup, a Copa da Liga e a Copa da UEFA. Nenhum clube inglês tinha juntado as três. Não ganharam a liga, e não ganharam a Champions. Michael Owen era o finalizador. Steven Gerrard era o meio-campista que virava o motor do time, ainda não o capitão de Istambul. Sami Hyypiä era o zagueiro de uma defesa que Houllier tinha reconstruído. Quem escala esta ficha porque queria a virada de 2005 escalou o Liverpool errado.
Reis da Bola mantém a temporada separada porque o método é uma campanha de copas, não uma campanha de Champions. A final que a encerra foi em Dortmund, contra o Alavés, e terminou 5 a 4, decidida por um gol contra de golden goal na prorrogação, depois de a vantagem ter trocado de lado a noite inteira. Semanas antes, Owen tinha marcado dois na virada da final da FA Cup contra o Arsenal. A Copa da Liga foi a terceira. Três noites diferentes, um elenco, e nenhuma delas são os seis minutos de Istambul nem a final contra o Tottenham em Madri.
O onze da ficha
Sander Westerveld estava no gol. Markus Babbel e Jamie Carragher eram os laterais, Hyypiä e Stéphane Henchoz os zagueiros. Didi Hamann jogava à frente deles. Gerrard e Gary McAllister eram o meio, Patrik Berger aberto. Emile Heskey e Owen faziam o ataque. Owen é o centroavante no auge da velocidade do começo de carreira, o jogador que decidiu a final da FA Cup. Gerrard ainda não é o jogador que arrasta uma final de Champions de 3 a 0. McAllister é o passador mais velho ao lado dele. Heskey é o parceiro, não um nome de elenco de uma escalação posterior.
Houllier reconstruía o clube desde que assumiu de vez em 1998. Esta ficha é a temporada em que essa reconstrução produziu um conjunto único de copas, e a temporada em que isso parou. A defesa é organizada. O ataque é a corrida de Owen. O meio é um Gerrard jovem aprendendo a função ao lado de Hamann e McAllister. É um time completo. Não é o time de Dudek, Gerrard e Alonso, e não é o time de Alisson, van Dijk e Salah. O nome do clube na camisa é a armadilha.
Por que as copas são o draft
Um draft de Champions que inclui um campeão da Copa da UEFA precisa de um motivo, e o motivo é a distinção. O time de 2001 é o que o Liverpool era antes de a Champions voltar: um time de copa bom o bastante para ganhar três, montado em torno de um centroavante que já era famoso e de um meio-campista que não estava pronto. O de 2005 é o milagre contra o Milan. O de 2019 é o time de pressão de Klopp ganhando a final que o de 2018 tinha perdido. Juntar os três numa ficha só apaga o único fato que faz 2001 valer a escolha por si.
Escalar o onze de Houllier é escalar o 5 a 4, os dois gols contra o Arsenal, e um Gerrard que ainda está virando o jogador que as outras fichas do Liverpool já pressupõem. Hyypiä é o zagueiro, não van Dijk. Westerveld é o goleiro, não Dudek e não Alisson. Heskey e Owen são a dupla. A tríplice é real. Só não é a tríplice que as pessoas querem dizer quando falam Liverpool e Europa na mesma frase. Esse desencontro é o motivo de a ficha existir.
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