Paris Saint-Germain: a final que perdeu e a que ganhou
O time de Tuchel em 2020 perdeu a primeira final de Champions do clube para o Bayern. O de Luis Enrique em 2025 ganhou a seguinte, de 5 a 0 contra a Inter, com outro elenco.
Duas finais, quase nenhum onze em comum
O Paris Saint-Germain passou uma década sendo descrito como um time que podia comprar uma final e não conseguia ganhá-la. O draft tem as duas metades da correção. O time de Thomas Tuchel em 2020 chegou à primeira final de Champions do clube e perdeu de 1 a 0 para o Bayern de Munique, em Lisboa. O de Luis Enrique em 2025 chegou a outra e venceu de 5 a 0 a Inter de Milão, em Munique. Cinco anos separam as duas noites. Marquinhos é o jogador de linha que continua lá. O ataque, o goleiro, o técnico e o sentido do jogo não.
Reis da Bola mantém as temporadas separadas porque 'o PSG numa final' são dois resultados opostos. Uma ficha é o time que chegou como favorito no nome e saiu sem gol. A outra é o time que transformou uma final numa procissão. Neymar e Kylian Mbappé são os atacantes de 2020. Não estão no onze de 2025. Ousmane Dembélé, Bradley Barcola e Randal Kolo Muani são os atacantes de 2025. Não estão no onze de 2020. Se o draft juntasse as duas temporadas, você estaria escolhendo uma linha de frente que nunca jogou uma final de Champions junta.
2020: Lisboa, e um gol de um ex-jogador
A final de 2020 foi jogada num estádio vazio porque o mata-mata tinha sido levado para Lisboa e comprimido em poucas semanas. O Bayern era o time que tinha acabado de vencer o Barcelona por 8 a 2. O Paris era o time que finalmente tinha passado de uma semifinal. Kingsley Coman, formado no Paris antes de sair, marcou o único gol. Neymar e Mbappé, o ataque que o projeto tinha sido montado para produzir, não marcaram. Keylor Navas estava no gol. Marquinhos e Presnel Kimpembe eram os zagueiros, com Alessandro Florenzi e Juan Bernat nas laterais. Marco Verratti e Leandro Paredes estavam no meio. Ángel Di María e Pablo Sarabia completavam a linha atrás dos dois atacantes.
A ficha é aquela noite, não a conta das contratações. Verratti é o meio-campista que tinha passado por todas as versões do projeto e ainda não tinha ganhado esse jogo. Di María é o ponta que já tinha vencido uma Champions com o Madrid em 2014 e não conseguiu arrastar esta. Mbappé tem 93 na ficha porque a temporada era dele, e a final é o jogo que essa nota não explica. Escalar o Paris de 2020 é escalar o melhor ataque que o clube tinha colocado numa escalação até ali, na noite em que não bastou.
2025: outro ataque, e um 5 a 0
O time de Luis Enrique em 2025 ganhou a final por um placar que não precisa de enfeite. A Inter foi vencida por 5 a 0 em Munique. O onze do draft não é a coleção de 2020 com os nomes atualizados. Gianluigi Donnarumma estava no gol. Achraf Hakimi e Nuno Mendes eram os laterais. Marquinhos, ainda capitão, fazia dupla com Willian Pacho. João Neves, Vitinha e Fabián Ruiz eram o meio. Dembélé, Barcola e Kolo Muani eram a linha de frente. Dembélé era o atacante em torno do qual a temporada se organizava, um ponta pedido para ser a referência, e não um complemento de Mbappé.
O contraste com 2020 é a razão de existirem as duas fichas. Uma final foi perdida por 1 a 0 por um time cujos dois atacantes mais famosos não conseguiram marcar. A seguinte foi ganha por 5 a 0 por um time que já não dependia desses dois atacantes. Marquinhos é a continuidade, e mesmo ele é uma escolha diferente: o zagueiro jovem de uma primeira final, depois o capitão da noite em que o clube finalmente ganhou a competição. Tuchel, que perdeu a final de 2020, é o mesmo técnico que aparece na ficha do Chelsea de 2021 como campeão europeu em outro lugar. Nada disso torna as duas temporadas do Paris intercambiáveis. Uma é a final que confirmou a piada antiga. A outra é a final que acabou com ela.
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