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Leverkusen, 2002: vice na liga, na copa e na Europa

O time de Ballack foi vice na Bundesliga, na Copa da Alemanha e na Champions. A final foi o voleio de Zidane. O apelido Neverkusen ficou.

Três vice-campeonatos, uma temporada

A temporada 2001-02 do Bayer Leverkusen é lembrada como uma tríplice do tipo errado. Lideraram a Bundesliga por longos trechos e terminaram em segundo, desabando na última rodada. Perderam a final da copa para o Schalke. Perderam a final da Champions por 2 a 1 para o Real Madrid, no gol que decidiu, o voleio de Zinedine Zidane. O apelido Neverkusen vem dessa sequência, e é preciso o bastante para ser injusto: o elenco era bom o suficiente para estar nas três disputas, e ficou em segundo em cada uma. Klaus Toppmöller era o técnico. Michael Ballack era o meio-campista em torno do qual a temporada foi montada, e saiu para o Bayern de Munique no verão.

Reis da Bola guarda a ficha porque a final é uma das noites famosas da competição e o time que a perdeu não era um figurante. O Madrid era o favorito e ainda precisou de um gol que as pessoas continuam reprisando. O Leverkusen era o time que tinha eliminado o Manchester United na semifinal e chegou a Hampden com chance real. A entrada do draft é essa chance, e o onze que a carregou, não um vice alemão genérico.

O onze, e a final

Hans-Jörg Butt estava no gol. Marko Babić e Diego Placente eram os laterais em torno de Lúcio. Zé Roberto jogava na esquerda dessa linha. Carsten Ramelow ficava à frente da defesa. Ballack e Bernd Schneider eram o meio. Oliver Neuville abria. Thomas Brdarić e Dimitar Berbatov eram os atacantes, Berbatov ainda no começo da carreira que faria dele outro tipo de centroavante. Lúcio é o zagueiro que anos depois ganharia a competição com a Inter. Nesta ficha ele é o defensor da final que o Leverkusen perdeu.

A final em si é de Zidane. Um cruzamento da esquerda, um voleio batido com a bola ainda caindo, e um gol que encerrou a última chance da temporada. O Leverkusen já tinha perdido a liga na última rodada e a copa para o Schalke. A noite europeia foi a terceira confirmação, não o primeiro susto. A temporada de Ballack ainda era o pico individual: completa o bastante para o Bayern comprá-lo assim que acabou. A ficha é o time antes dessa venda. Schneider e Zé Roberto são os outros criadores. Neuville é o ponta. Butt é o goleiro que passou a primavera em três competições e não terminou nenhuma em primeiro.

Um vice ainda é um time específico

Quase-campeões são achatados na história de quem ganhou. A ficha do Madrid de 2002, no guia dos Galácticos, é o voleio visto do outro lado. Esta ficha é o time contra o qual o voleio foi marcado, e tem forma própria. Um meio de Ballack e Schneider, um lado esquerdo brasileiro em Zé Roberto, um Berbatov jovem e Lúcio atrás não é 'o time que Zidane venceu' do jeito que um destaque reduz. É um time da Bundesliga que liderou a tabela, chegou a uma final de copa e chegou a uma final europeia na mesma primavera. Três vices são um resumo brutal. Também são a prova de que o onze era real.

Escalar o Leverkusen de 2002 é escalar essa primavera, inclusive o fim. Você não leva a taça. Leva Ballack antes do Bayern, Lúcio antes da Inter, e uma final famosa porque tanto o gol quanto o time que o sofreu valiam ser lembrados. O apelido sobreviveu porque a temporada não foi um acaso. Um clube, um ano, três medalhas de vice. Essa é a ficha. Schneider, Zé Roberto, Neuville, Berbatov e Lúcio são o resto do onze que o voleio costuma contar sem eles.

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